A melhor e a pior parte de viajar só e com a galera

Sou Daniele, tenho 38 anos e um verdadeiro fascínio por viagens. Por conta da minha formação em Turismo e profissão, sempre viajei muito a trabalho, e tive o privilégio de conhecer uma boa parte do Brasil.

Instigada pelo desejo de conhecer mais e vivenciar outros países, no final de 2015 fiz América do Sul de carro com mais 6 pessoas. Foram 90 dias, 22 mil km, passando por 6 países: Brasil, Uruguai, Argentina, Chile, Perú e Bolívia.
E sete meses depois que voltei ao Brasil, fiz 8 países da Europa: Hungria, Itália, Polônia, República Checa, Áustria, Eslovênia, Croácia e Servia, só que dessa vez foram 43 dias, sozinha.
Da Europa, já conhecia Espanha e digo que todas as viagens foram totalmente diferentes, mas totalmente complementares. E consigo ver vantagens e desvantagens em todos os modelos: viajando com mais pessoas e sozinha.
Falando da trip pela América do Sul, em muitos momentos a solidão foi maior do que se estivesse viajando sozinha. Engraçado isso, mas aconteceu. E talvez, nesse caso, tenha acontecido porque conheci pessoalmente as pessoas um dia antes da partida para o primeiro país que foi Uruguai. Uau, dizem que fui corajosa! Na verdade, todos arriscamos, e quem não se adaptou ao grupo, saiu antes do combinado. E em nenhum momento fiquei com medo disso, apenas apreensiva para saber como seria a convivência com pessoas que não faziam parte do meu dia a dia e que nunca tinha visto na vida.
Ficamos muito tempo juntos, dormindo e acordando todos os dias juntos e fazendo todas as refeições juntos. Se teve conflito? Claro que teve! E na medida do possível, foi contornado durante a viagem. Foi muito delicado lidar com pessoas que não eram próximas, porque qualquer palavra errada ou mal interpretada, poderia sim, prejudicar o grupo e o restante da viagem. Mas até que levamos bem, e quando vimos, ficamos 90 dias juntos.
A vantagem de estar com mais pessoas, do começo ao fim, é o fato de partilhar e compartilhar tudo: aquela refeição, um momento exatamente na hora que aconteceu, uma conta, um causo, momentos bons e ruins, risos e choros, os desejos e sonhos, suas vontades, todo o roteiro, destinos e aquele perrengue.
A desvantagem é não ter liberdade total de escolha, porque em algumas vezes vai ter que abrir mão de muitas coisas que gosta por exemplo, pelo bem do grupo. Teoricamente a maioria ‘ganha’, e se você for da minoria, pode ser que comece a se frustrar. Mas boas conversas, com clareza e verdade devem imperar para que haja um bom andamento da viagem, prezando sempre pela ótima convivência e para que todos fiquem bem, e se sintam bem.

Agora, quando viaja sozinha, as preocupações são outras. Acredito que você fique mais atenta a sua segurança – porque quando está com mais pessoas, acaba relaxando um pouco, achando que nunca vai acontecer nada, ou achando que a pessoa que está com você, está olhando suas coisas ou cuidando do caminho e vice-versa. Uma super vantagem é a liberdade. É você escolher tudo, por você mesma. Vai para onde quer, como quer e a hora que quer. Come o que achar que deve, a qualquer hora e a qualquer valor – aquele que você separou para isso e planejou. E se algo der errado, ou se algo sair do controle ou ainda do programado, o problema é só seu. Contará para outras pessoas, só se você quiser.

Mas, o outro lado disso tudo é que se você tiver com alguém, dependendo do seu perfil, talvez seja mais fácil resolver algum problema, tendo com quem dividir o ‘perrengue’. Perrengue? Sim, estando só ou com mais pessoas, eles vão aparecer, e serão superados com louvor, pode ter certeza.

Estando sozinho também, pode ser que você conheça mais pessoas, porque acaba se abrindo mais para isso. Existe uma grande necessidade de falar com viajantes e moradores locais, quando se está sozinha. E você fala mesmo com pessoas que nunca viu na vida e bem provável, que depois, nunca mais verá.
E a cada viagem sozinha, conforme vai passando o tempo, sua confiança aumenta, você vai ficando mais independente e corajoso, e isso, facilita o acesso a várias coisas. Porque a vontade nunca passa! Nem bem acaba uma trip, você já começa a pensar e planejar a próxima!
Para mim, cada partida e cada retorno, é uma experiência gigantesca. Nunca saio e nunca volto a mesma pessoa. E continuo através da Expedição Killa, a constante busca por pessoas, lugares e momentos inesquecíveis.
Desejo a você que tenha muitas viagens e diferentes destinos pelo caminho.

Daniele de Andrade

Texto escrito para blog: mulheres viajantes

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