Reflexão de um amigo de estrada

Um amigo que fiz em Bariloche, me fez pensar.

IMG_20170409_125730_491

Bom, mas antes de contar sobre isso, me lembrei claramente das nossas conversas enquanto fazíamos as pizzas para servir aos hóspedes do hostel que trabalhamos. Aliás excelentes papos vindos de experiências de vidas totalmente diferentes mas muito agregadoras. Com muita paciência e discernimento, falávamos sobre a vida e sobre o futuro de alguma forma planejado.

Ele um calmo e inteligente escritor guatemalense, em uma mensagem longa me perguntou hoje: porque faço as viagens? E que filosofia há por trás disso tudo? Uau!
Li, reli, respirei, olhei longe para o nada e comecei a responder… no meio de tantas outras informações e causou que ele estava me contanto.

E senti necessidade de escrever mais sobre isso.
Não que eu já não tivesse em algum momento da minha vida respondido essas perguntas – mas até então foi só para meus botões, tentando justificar alguns atos e até para seguir com tudo isso.

Bom, lá no começo da Killa fui viajar para me distrair. Estava cheia de tanto trabalhar (trabalho desde os 15 anos e tenho 39), farta de pagar contas e cuidar das pessoas. Me sentia sufocada pelo acúmulo. Foi a perda do meu pai e pela recente despedida doída da minha irmã. Tive duas crises de stress. Travei. Passei por um divórcio e não queria mais. Estava muito exausta emocionalmente.
Aí por uma oportunidade fui viajar sem data fixa para retornar. Só que quando voltei, não quis (ou não consegui) mais parar.

Mas porque será que viciei nisso, se já viajava tanto?
Sempre tive a sorte de viajar muito a trabalho, o que já me deixava muito feliz. Aliás, não estava insatisfeita com minha vida profissional.

Sei que como muitos, viajo para conhecer pessoas e lugares. Para me mover e ter momentos diferentes. Ok! E o que mais? Porque isso, até quando apenas ‘turistava’ já fazia e já tinha. Nenhuma novidade até então.

Eu sou daquelas inquietas que não sabem não fazer nada ou ficar muito tempo no mesmo lugar. Pode ser que aí tudo começe a se encaixar e o ‘ter me encontrado’ melhor assim, comece a fazer sentido.
Sou fascinada pela ideia de dormir em um país e acordar em outro.
Não sei ter rotina e muito menos, viver sozinha. Vivo em constante transição e descobrimento.

É isso!

Acho que aos poucos fui percebendo que viajo para reconhecer uma Daniele que não conhecia ou não existia – ou estava lá escondida dentro de mim mesma, sem que tivesse muitas chances de aparecer.

Sempre me achei muito mais razão do que emoção. Mudei muito e hoje sei que também viajo pela emoção e para vibrar comigo mesma. Choro de alegria sozinha sim, enxugo as lágrimas rindo, pulo, giro em torno de mim mesma, danço muito e canto alto rs

Acho que agora começou a fazer mais sentido.
Sabe aquela história que você nunca volta de uma viagem sendo a mesma pessoa?
E depois de várias viagens? Isso ainda é possível? Aí que começam as transformações, avaliações e reflexões mais profundas.

Ainda me encanta viajar para contar histórias, no sentido mais profundo do ‘contar’… quero é tocar a vida das pessoas de alguma maneira. Quero fazer a diferença.
Porque não tem mais sentido viajar só para colecionar carimbos, conhecer pessoas, descobrir lugares e ter inesquecíveis momentos.
Lógico que tudo isso soma e é imprescindível. Mas e aí? E durante? E depois? O que me motiva para voltar e pensar no próximo destino?

É só ter sua casa dentro de uma mochila, saber desapegar e dar valor a outras coisas que não sejam as materiais? Só saber ter prioridades e saber viver de escolhas?
Na verdade, para mim isso tudo já é pouco.
Mas talvez essa seja a grande graça, sempre querer mais e procurar mais. Não se contentar com pouco ou com o mesmo.

Isso é a tal filosofía? Ainda não sei se tenho a resposta.
Sei de estilo de vida. E da arte de estar em constante movimento, de estar ativo e cheio de informação diferente a todo tempo.
E ser o que eu sou, em qualquer lugar do mundo, mesmo que nenhuma pessoa me conheça. Sim, isso me fascina.
Acho que preciso viajar mais para ter mais perguntas e consequentemente, mais respostas.

(Só explicando sobre as minhas ‘mudanças’: depois de tantos lugares que passei, sou muito mais comunicativa. Escuto. Consigo sorrir mais. Minhas atitudes são outras. Sou mais paciente. Procuro ficar de bem com a vida diariamente, resolvendo as coisas de uma forma mais prática e direta. Vivo tranquila. Falo o que sinto sem vergonha. Meus sentimentos são mais claros. Tenho pessoas do bem ao meu redor. Hoje é mais dfícil me tirar do sério… apenas com coisas fúteis e inúteis, aí não tolero. No mais, vou indo da melhor forma possível).

É isso! Pensando na vida, necessito seguir viajando.

Abraços,

Dani de Andrade

(sobre as minhas ‘mudanças’, depois de tantos lugares que passei: aprendi a ser muito mais comunicativa. Escuto mais. Consigo sorrir mais. Minhas atitudes são outras. Sou mais paciente, menos enérgica com os outros e menos exigente comigo mesma. Procuro estar de bem com a vida diariamente, resolvendo as coisas de uma forma mais prática e direta. Vivo tranquila e sem pressa. Falo o que sinto sem vergonha. Meus sentimentos são mais claros. Tenho mais pessoas do bem ao meu redor. Sei que hoje é bem mais difícil me tirar do sério… apenas coisas fúteis e inúteis, ainda não tolero. No mais, vou indo da melhor forma possível).


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s