O gargalo do trabalho voluntário em outro país

Um comparativo e uma análise do voluntariado.
É o luxo e o lixo de trabalhar em troca de algo.

Dediquei 65 dias da minha vida fazendo trabalho voluntário fora do país. Resolvi ir para aprimorar o idioma local e para aprender na prática sobre a ‘gestão de meios de hospedagem’ de outros países e assim, complementar meus projetos no Brasil.

Antes de tudo, gostaria de lembrar que existem bons programas de incentivo à esse tipo de trabalho, com sites claros e objetivos, explicam e auxiliam, dão o caminho e te colocam em contato com os locais que aceitam voluntários, direcionando-o com segurança mundão a fora.
Lembro também que esse tipo de trabalho não é um emprego, e sim, uma super imersão: cultural, gastronômica, política, social… e o que mais quiser aproveitar, observar e absorver.
E, com tudo isso, meu papel é apenas alertá-los para que se atentem aos mínimos detalhes que só quem faz esse tipo de ‘trabalho’ pode contar.

Bom, se sua ideia primária é conhecer o mundo e não pagar hospedagem e alimentação, OK, você está no caminho certo.
Ou você inspira algo a mais (ou maior) com esse tipo de viagem? Não? Como sugestão: gostaria que você pensasse nessa possibilidade.
E eu, vou te ajudar com uma lista de coisas que acho importantes você saber antes de ir e ter a certeza que sua escolha está de acordo com seus objetivos e anseios.
Importante: saiba das suas habilidades e nunca abandone suas expectativas.

Você iniciará sua buscar pelo destino e em paralelo pelo local que irá trabalhar. Vai ler as ofertas, curtir umas e eliminar outras. Das que gostar, vai encaminhar mensagem para o anfitrião se apresentando e demonstrando interesse pela ‘vaga’ disponível (você pode encaminhar várias mensagens para lugares diferentes desde que sejam personalizadas, sinceras e muito criativas).
Depois o(s) anfitrião(ões) vão responder com aceite ou com recusa (não se preocupe: normalmente as recusas são por falta de espaço para voluntários e não porque ele não gostou de você). Aceitando sua ida, aí sua viagem começa, literalmente!

Decide então à data da chegada (e bem provável, da partida), pesquisa meio de transporte e deslocamentos, compra tudo, faz a mochila… e já vai se imaginando dentro do local. Se prepara, gerencia a ansiedade, os frios na barriga, e… vai!

Enfim o grande dia chega. Encontra o local e o anfitrião… é bem recebido. Aliás, não poderia ser diferente porque você vai trabalhar de graça, por uma vasta e excelente troca de experiência e aprendizado, que são gigantescos.

Então, resumidamente, antes do SEU aceite final, você tem que começar entendendo que tipo de trabalho terá que fazer. Qual horário? Quantos dias na semana? Pergunte antes sobre suas folgas. Você precisa saber dos dias livres – quantos serão, já que seu principal objetivo é VIAJAR. Entenda também por quanto tempo será feito o trabalho. Que tipos de atividades irá desempenhar. Quais suas funções e responsabilidades. Também onde vai dormir e com quantas pessoas, se tiver que compartilhar quarto. Se o banheiro tem água quente. Sobre as refeições: que tipo de comida vão te oferecer e a quantidade por dia. Ela estará pronta em determinados horários ou você terá que preparar? Pergunte tudo antes. Tudo para o seu bem.
Não tenha vergonha porque eles sabem as respostas e precisam responder, sobre:

Prazo
Parece que 1 mês passa rápido? Quando você está em casa. No conforto do seu lar, que pode comer o que quer e a hora que quer, com wifi, TV a cabo, com sua família e amigos, saindo para onde quer porque é tudo perto, com recursos e sua total disposição, aí com certeza 1 mês passa rápido.
Agora imagina você no meio do nada, com restrições de tudo isso.

Dormir (bem)
Descansar, ter privacidade e boas horas de sono seriam o ideal, certo?
OK, em qualquer lugar do mundo não dormir adequadamente por uns 10 dias acredito ser tranquilo, ainda mais viajando com olhar do estou aqui ‘de graça’.
Agora pensa você sem conseguir dormir por um longo prazo: é muito difícil porque seu corpo vai começar a sentir. O barulho, o entra e sai do quarto, as interrupções no seu sono, as conversas e risadas em paralelo de madrugada. E pensa ainda estando em um lugar sujo, desorganizado e fedido.
E um ratinho passeando pela sala? Você aguentaria?

Suas atividades
Fazer o que você nunca fez, é uma maravilha! E aprender é extremamente válido.
Recepcionar, atender telefone e resolver problemas (em outro idioma), limpar e arrumar quartos e cabanas, dar informações turísticas, fazer check in e check out, cozinhar, servir hospedes, montar mesas de café da manhã, almoço e jantar, cortar lenha, podar plantas, regar o jardim, ser garçom… Agora, pensa você sendo escalado em uma linda manhã de sol para limpar cocô de cavalo, enchendo uns 15 ‘carrinhos de mão’ ao longo de uma estrada de chão quase interminável. E aí? Você topa?

Horários
Ir dormir 1h da manhã e acordar no dia seguinte às 5h para trabalhar. Você faria? Por quanto tempo? E trabalhar das 23h às 8h da manhã do dia seguinte, sozinho, sem ninguém para conversar, só quando apareciam alguns hospedes animados naquela noite fria e sonolenta. É fácil?
Ou cumprir 4 a 5h de trabalho por dia, porque todo o resto será livre para fazer o que quiser e onde quiser? Bem melhor, não acha?

Alimentação
Disso tudo para mim, o mais ‘agravante’ é a comida.
Alimentar-se bem é essencial para se ter um dia produtivo.
Bom, adianto que alguns lugares disponibilizam: verduras, frutas, cereais, ovos, macarrão, lentilha e arroz. Outros te entregam o ‘prato feito’. Uns são bem servidos no almoço, e no jantar basta pão com manteiga. Alguns lugares o café da manhã tem muita comida, e no almoço e jantar são regrados a quase nada. Em outros você pode fazer sua própria comida – e compartilhar, o que é uma grande saída.
Existem ainda aqueles mais ‘cruéis’ com refeições ‘surpresas’: quando você não tem a mínima ideia do que irá comer, só sabe exatamente na hora que está cheio de fome e chega aquela panela enorme com pouca comida para muitas pessoas. E o jantar é igual a ‘sobra’ do almoço, com mais batatas.
Aliás, para quem tem restrições alimentares, fazer voluntariado não é uma boa opção. Para quem é vegetariano, pode ser uma boa, porque carne é um artigo de luxo. E na maioria dos locais, o pão nunca falta.
O cuidado maior é com relação a ‘distâncias’, porque se você escolher um lugar mais afastado e quase no meio do nada, sem restaurante ou mercados por perto, terá que se precaver. Pode ser que você seja impedido de utilizar a cozinha ou de comer em seus dias de folga, aí sim, precisa se programar melhor.
Ou se você é do tipo que não se importa em ‘gastar’ com suas próprias refeições, já que não está satisfeito com o que oferecem, OK. A escolha é sua!

Uau! O que devo fazer, então?
O caminho é: conversar com o anfitrião antes e durante.
Repito que a saída é a comunicação – pergunte sempre quando tiver dúvidas. Tenha afinidade com seu anfitrião. Uma sugestão: seja parceiro dos funcionários e demais voluntários, para entender e aproveitar ainda mais sua estadia, saindo mais satisfeito e agradecido pelos dias que ali esteve.

Se vale a pena?
Vale e muito!
Prrocure saber de tudo antes da sua ida para não se frustrar, não se irritar, não ter problemas e ainda sair do local com portas abertas. Lógico que algumas coisas você só saberá quando chegar e com o passar dos dias, mas use o bom sendo e resolva da melhor forma possível, se algo não tiver de acordo com o combinado prévio.

Viajar e não pagar pela hospedagem é ótimo.
Sugiro que se policie para não fazer mais que o necessário. Não queira mostrar ‘serviço’. É da natureza de muitos querer agradar. Mas adianto que não precisa.
Seja uma boa pessoa e um excelente viajante, afinal, sua imagem vale muito. Mas não dê o sangue, afinal seu bem estar tem que prevalecer. E se estiver ruim, saia e procure outro local, porque existem muitos lugares bons por aí.

Não se sacrifique a toa por um prato de comida, um colchão e um chuveiro. Sua vida, seus objetivos e anseios são mais importantes do que isso, afinal, para o tal anfitrião, você custa pouco, muito pouco, e ele lucra muito, e muito mesmo!

Há muitas exceções.
Em muitos lugares os anfitriões parecem te acolher de uma maneira tão especial que você se sente parte da sua família. Para esses sim, vale uma atenção maior, afinal a partir do momento que se conheceram, as vidas se cruzaram e para ambos, os objetivos e anseios se misturaram e quando chega a hora de partir, fica difícil segurar as lágrimas. Dá saudades de tudo e todos, logo no dia seguinte.

Lembre sempre: viajar com segurança é ainda o mais importante.
Avalie então todos esses detalhes antes de ir . Faça de tudo para que sua estadia seja agradável e divertida. Aproveite e faça uma boa viagem.
Boa sorte sempre!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s