Uau, o Vidigal

Subir o Morro, é ter a sensação de participar da cena de um filme (ou da novela, você gostando ou não).
Antes de chegar na cidade, já sabia que queria ir no Bar da Laje… os acompanho nas redes sociais e quis conhecer.

Chamamos Uber de Copacabana, que nos levou até a praça, na entrada, embaixo, já que não sobem com o carro.
Na chegada, vários motoboys acenam, chamando para te levar, mas já tinha escutado que seria muita aventura subir com eles, então, optei pela kombi por R$ 5.00 (o dobro da moto).
Tem um ponto com várias paradas, e os motoristas logo perguntam: Bar da Laje? Sim. Pode entrar.

Aqui vale uma pausa para antes da partida:
Enquanto aguardávamos a kombi ‘lotar’ para então sair, escutamos muitas buzinas e gritos, quando logo percebemos que era um protesto de motoboys. Umas 80 motos vinham sentido Ipanema – Rocinha (que fica ao lado/atrás do Vidigal), chamando todos os motoboys que estavam pelo caminho, parando na praça falando com aqueles que estavam aguardando para fazer transporte das pessoas, morro a cima.
Vi 4 policiais da UPP – apenas um deles com fuzil, já avisaram pelo rádio o que estava acontecendo e esperaram (com tranquilidade) o que ia dar. Eles desceram em direção as motos, fuzil subiu… e nada aconteceu, todos os motoboys saíram em disparada e os policiais voltaram aos seus postos – debaixo de um gazebo.
Nisso, eu e meus amigos (éramos 4) estávamos juntos e ficamos boquiabertos vendo tudo aquilo. Foi uma mistura de emoção e sentimento. E pensei que nesse dia, não ia conhecer o tal Bar.
Medo? Eu não tive nenhum. Apenas fiquei curiosa. Mas, os amigos que estavam no banco atrás de mim, estavam quase se abaixando e deitando no chão da kombi rs

Bom, uma moradora que entrou por último, disse que um policial tinha recém baleado um motoboy na Rocinha, e eles estavam indo lá protestar. Ah normal, não? Para ela acho que sim.
O tumulto terminou, kombi lotou e começamos a longa subida.

Caramba! Como passa carro naquelas ruas? Eu pensei várias vezes nisso, e aí entendi porque Uber não sobe (também porque atrapalharia o trabalho dos motoboys e kombis).
No trajeto, tinha caminhão descendo, kombi não dava a ré (acho que por birra mesmo)… motorista reclamou muito mas cedeu, e deixou o caminhão passar, depois de mil manobras até encostar quase o espelho na parede de uma casa verde. Vi muita casa grudada uma na outra… eram quase uma coisa só.
Enxerguei muitas crianças, pessoas indo e vindo, aqueles tomando a sua cervejinha nas calçadas. Muita música rolando e sorrisos? Ah! Isso teve de sobra. Uma comunidade e tanto.
Entre as casas mais baixas e as mais altas, já imaginei o visual que me esperava.

Deixamos vários moradores pelo caminho: pára aqui moço, moro naquela casa ali. E sem nem precisar pisar na rua, desciam da kombi e já estavam para dentro de suas casas.
Enfim, chegamos depois de muito subir. Paramos um pouco antes da entrada do Bar, muito no alto mesmo.
Um rapaz (com cara de personagem) nos fala: Bar da Laje? Sim. Eu levo vocês. Olhei e pensei: xii, ele vai querer dinheiro) e ao mesmo tempo, olhando para todos os lados, um pouco confusa e meio anestesiada com que tinha visto. Acho que ainda não acreditava que estava no alto do Vidigal.
O rapaz então nos deixou na porta do Bar, passou seu contato, instruindo que, quando quiséssemos descer, era para avisarmos que ele nos buscaria. E novamente pensei: se não cobrou na subida, certamente, será na descida.
Mas, me senti segura por essa gentileza, ou escolta?

Um pouco antes, quando saímos da kombi, fomos recepcionados por um casal do bar da frente, nos convidando para entrar… até que parecia uma boa opção, principalmente pela simpatia deles mas naquele momento, já tínhamos destino certo.
Na porta do Bar da Laje, um: sejam bem vindos acompanhado de um sorriso de ponta a ponta da orelha.
Pagamos R$ 30 pela entrada em dinheiro (só havia essa forma de recebimento). Começamos a andar pelo Bar em direção ao deck, e fiquei logo uns 5 segundos sem fôlego… uau! que vista foi aquela? Quase indescritível. A sensação de liberdade tomou conta de mim, tamanha grandeza, exuberância e beleza. Nossa! Que lugar! Tirei muitas fotos, curti cada pedacinho…
Atendimento ótimo. Bebida boa. Excelente música. Baita experiência. Quero repetir.

Perto das 20h começaram avisar que o Bar fecharia. Pensamos: mas não era às 22h?
Não que ficaríamos lá em cima, até esse horário… mas nos envolvemos pelo pôr do sol… e afirmo que olhar tudo aquilo escurecendo, e depois já noite, foi simplesmente espetacular.

Deu o horário. Todas as pessoas começaram a se arrumar, pagar (ai já aceitam cartão), e sair, quando então, lindas crianças te abordam, sorriem, pedem carinho com os olhos. Só me restou, retribuir.

Nosso rapaz personagem, já estava nos esperando e nos levou até a kombi, em um ritmo acelerado e constante de: vamos, vamos, vamos… parecia que ele tinha pressa em nos deixar lá embaixo logo.
Mesma distância percorrida, mas chegamos muito mais rápido. agradecemos e não desembolsamos um real pelo ‘serviço’ de segurança. Ele não cobrou. Ok!

Já na mesma praça da subida, conversamos com uma moradora que disse que hoje está tranquilo mas amanhã, já não se sabe. Afirmando estar acostumada com toda situação.
Enquanto isso, nas minhas costas, 3 homens subiam rapidamente com fuzil na mão, um deles apontado para cima.
Será por isso, tanta pressa para a nossa descida?
Ficamos sem saber…

No caminho, retornando, comecei uma análise de todas as coisas que vi… e ao mesmo tempo ainda sem acreditar que subi o Vidigal – um lugar que o turista é de certa forma protegido, onde existe a noção e importância do turismo para o local, onde a comunidade te respeita, te acolhe, te faz sorrir e refletir.

Ao saberem que estava em cima do Morro, muitos conhecidos me falaram: o que tá fazendo aí guria? Ta maluca?
E eu respondia pra mim mesma: tô fazendo um bem pra mim.

Ainda muito pensativa, presenciei um pouco de uma realidade totalmente diferente da minha, e de tudo que imaginei ver um dia.
E por mais que ainda não saiba exatamente como é viver numa favela, eu subi e quero ter a oportunidade de ir mais vezes.
Acho que ainda não caiu a ficha…

Sobre policiamento?
Digo que no RJ e, aparentemente, só no Rio de Janeiro, ver policiais nas ruas não é sinônimo de segurança. Muito pelo contrário, parece que alguma coisa à qualquer momento, vai acontecer. Onde há policiais, há perigo?

Com tudo isso que escrevi, só me resta recomendar o novo para você. O que você não está acostumado a fazer. O que foge muitas vezes do seu controle… e acaba te surpreendendo.
Faça, mas sob o seu olhar… e de mais ninguém!


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